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Posts Tagged ‘dekasseguis’

Crescimento de oferta de empregos leva complexo industrial de Pernambuco a repatriar dekasseguis

Apesar de a economia pernambucana crescer acima da média nacional, as empresas e indústrias do Estado estão encontrando dificuldade na contratação de pessoal qualificado. Para suprir a demanda, muitas delas têm que buscar solução em outros Estados e, até mesmo, fora do país.

É isso que está fazendo o principal pólo de desenvolvimento de Pernambuco, o Complexo Industrial e Portuário de Suape, no município de Ipojuca (60 km de Recife). Algumas empresas do local estão repatriando brasileiros, descendentes de japoneses, que foram trabalhar no Japão. Os dekasseguis, como são conhecidos, estão sendo contratados principalmente para atuar na indústria naval, como supervisores ou líderes de solda.

Em uma das empresas instaladas no complexo, o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), criado em novembro de 2005, já são 122 contratados. Um deles é o supervisor de solda e montagem, Hamilton Hitisuo Mike, 47. Filho de japoneses, Hitisuo saiu de São Paulo para trabalhar em uma fábrica de automecânica e viveu por 20 anos no Japão.

No começo, segundo ele, a discriminação foi um dos maiores problemas que enfrentou. “De início, foi bem difícil, já que, mesmo tendo a cara de japonês, o meu sotaque mostrava que eu não era um deles, mas depois foi melhorando, e consegui me adaptar.”

Após seis anos na mesma empresa, Hitisuo foi contratado pelo estaleiro japonês Toyohashi, onde ficou durante 14 anos, se casou com uma japonesa e teve dois filhos. “Apesar do custo de vida alto no Japão, dava para viver bem. Mas foi a preocupação com meus filhos, com a qualidade de vida que eles teriam, que me fez voltar  ao Brasil e trazer todos comigo.”

Os dekasseguis ouvidos pela reportagem negaram que a crise econômica mundial, que atingiu fortemente o Japão, tenha influenciado na decisão de retornar ao Brasil. A saudade da família e as novas oportunidades de emprego no país são os principais motivos, segundo eles.

É o caso do soldador Rodrigo Hanky, 26. Depois de seis anos trabalhando num estaleiro japonês, ele disse que já estava bem adaptado à rotina e à disciplina oriental. Porém, em meados do ano passado, precisou vir a Santos (SP), sua terra natal, visitar o seu pai que estava doente.

No Brasil, ele soube da oferta de trabalho no estaleiro, e desistiu de voltar ao Japão. “Eu tinha uma vida boa lá, inclusive minha passagem já estava comprada, mas a oportunidade de ficar mais perto da minha família veio em primeiro lugar.” Outro motivo que fez o nissei ficar por aqui foi a chance de crescer profissionalmente. “Mesmo ganhando menos aqui no Brasil, no Japão não tínhamos direito a carteira de trabalho e seguro-desemprego, se nos mandassem embora sairíamos sem nada, aqui podemos fazer uma carreira.”

A oferta de emprego em Pernambuco cresceu impulsionada principalmente pelo setor industrial. No ano passado houve, de acordo com a Consultoria Econômica de Planejamento de Pernambuco (Ceplan), um aumentou de 11,2% na produção industrial do Estado, ultrapassando a média brasileira de 11,1%. Esse crescimento deu-se, em grande parte pelos investimentos feitos no Complexo Industrial e Portuário de Suape. Lá já se instalaram cerca de 70 empresas. Nelas foram gerados 12.500 empregos diretos e mais de 11.200 indiretos, segundo a assessoria de Suape.
Fonte: UOL Economia

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Estaleiro Atlântico Sul quer competir com coreanos

Empreendimento é uma das âncoras do projeto que pretende instalar no porto pernambucano polos das indústrias petrolífera e naval

Todas as manhãs, Ângelo Bellelis, presidente do estaleiro Atlântico Sul, troca o terno por um macacão de operário. Coloca um capacete, deixa seu escritório na sede da empresa, instalado no porto pernambucano de Suape, e segue direto para a área industrial, a poucos metros dali. Sua meta é ver de perto a construção de um navio petroleiro Suezmax, o primeiro do estaleiro.

O movimento de trabalhadores e o barulho das máquinas são incessantes. Ainda assim, o executivo faz perguntas aos executivos que vai encontrando pelo caminho. Ouve com especial atenção o engenheiro naval Reique Abe, o diretor industrial. Aos 66 anos, Abe é um dos executivos mais experientes do grupo. Fez carreira no estaleiro Ishibrás, no Rio de Janeiro, filial brasileira da japonesa Ishikawagima, ícone do setor nos anos 1970 quando o Brasil chegou a ser o segundo maior fabricante de navios do mundo. “Há muito em jogo aqui e nada pode dar errado”, diz Bellelis. “Estamos participando do renascimento e da diversificação da industrial naval brasileira – e criando um novo polo global de produção.”

Suape Global

O Atlântico Sul é uma das âncoras do chamado Suape Global, projeto que pretende instalar no porto pernambucano polos internacionais nos setores naval, de petróleo e de gás. A proposta é arrojada e atrai um grande número de fornecedores desses segmentos para vários estados do Nordeste.

Belellis sabe que além das fronteiras brasileiras o jogo é pesado para a indústria naval – daí suas visitas diárias à área industrial. O estaleiro prepara-se para medir forças com os asiáticos, especialmente com a indústria da Coreia, hoje a maior, melhor e mais bem equipada do mundo nessa área. As estratégias do estaleiro para marcar posição no mercado externo dão uma dimensão do nível de modernização que a região Nordeste, em particular Pernambuco, vive neste momento.

O estaleiro buscou o que havia de melhor no setor. Associou-se à Samsung Heavy, um dos mais importantes fabricantes navais da Coreia, que prevê transferência de tecnologias. Também investiu em equipamentos de última geração. O Atlântico Sul já opera com o primeiro de seus dois guindastes Golias (o segundo está em fase de implantação). Um Golias tem 100 metros de altura, o equivalente ao prédio de 30 andares, e é capaz de erguer de uma vez só 1.500 toneladas, algo como mil carros da marca Gol. Não há outros Golias no continente americano, o que conta pontos a favor do estaleiro brasileiro. Quanto maior a carga que um guindaste consegue erguer, mais partes de um navio é capaz de içar ao mesmo tempo e mais rápido se conclui a construção da embarcação. Como ocorre em outros setores, a agilidade pode definir o fracasso ou sucesso de um fabricante.

Dekasseguis repatriados

 O estaleiro também se preocupou em disseminar entre os funcionários a cultura da indústria naval. Mais de 80% deles são pernambucanos sem vivência no setor. Para cobrir essa lacuna, o estaleiro buscou no Japão, outra referência na construção naval, 80 dekasseguis que trabalhavam em estaleiros japoneses. A meta é repatriar mais 120 brasileiros. Esse grupo foi destacado para supervisionar as equipes e transmitir experiências sua vivência.

Um desse dekasseguis é Hamilton Hitisuo Mike, paulista que trabalhou por 14 anos em estaleiros japoneses. Mike aceitou a proposta do estaleiro brasileiro depois de visitá-lo. “Quando vim conhecer o estaleiro fiquei impressionado com os equipamentos”, diz Mike. “Falam que o Japão está 30 anos à frente do Brasil na indústria naval, mas encontrei em Pernambuco máquinas que os japoneses ainda não têm. Só isso já faz uma enorme diferença nesse mercado.”

Enquanto se posiciona no mercado internacional, o Atlântico Sul cumpre a missão para a qual foi constituído. O estaleiro nasceu 2005, na esteira das descobertas de petróleo no Brasil por meio de uma associação entre as empreiteiras Camargo Correia, Queiroz Galvão e PJMR Empreendimentos. Sua construção deu-se quase que em paralelo à construção do primeiro navio. O que não lhe falta é trabalho. Suas encomendas somam 14 embarcações e o casco de uma plataforma de petróleo. Os pedidos fazem parte do Programa de Modernização e Expansão da Frota brasileira. Alimentada pelo pré-sal, a carteira total de pedidos no Brasil soma quase 50 navios – é hoje a quinta maior do mundo.
Fonte: economia.ig.com.br

Dekasseguis ensinam alta tecnologia em fábrica no Brasil

Dekasseguis transferem alta tecnologia para fábrica fluminense de lentes ópticas

Rio de Janeiro – Dezoito dekasseguis (brasileiros filhos de japoneses que foram trabalhar no Japão) voltaram ao Brasil e estão repassando a profissionais fluminenses os conhecimentos de alta tecnologia adquiridos em uma fábrica de lentes ópticas naquele país. Eles não chegaram a ter problemas por causa da crise financeira internacional, porque quase todos foram contratados diretamente pela filial brasileira da Hoya, inaugurada em novembro do ano passado, no Rio de Janeiro. Alguns foram indicados pela matriz.
No entanto, dekasseguis que ainda continuam trabalhando na fábrica no Japão já tiveram salário e carga horária reduzidos. A informação foi dada na segunda (6) à Agência Brasil pelo chefe de inspeção final do Setor de Qualidade da Hoya Lab, Guilherme Taguchi. Ele trabalhou na matriz japonesa nos últimos cinco anos.
De acordo com o gerente da unidade brasileira, Leonardo Martins, mão-de-obra especializada como essa não é encontrada com facilidade no Brasil. Daí o interesse da filial da Hoya de contratar técnicos que já vieram para o país com um elevado know-how (experiência) sobre o processo de fabricação e tratamento das lentes. “E não precisamos, assim, de um longo período de treinamento dos funcionários.”
A empresa começou a funcionar há 16 anos no Brasil, com uma representação comercial da marca e fabricando apenas um produto. Atualmente, a marca produz no país 42 itens diferentes. As vendas cresceram e a empresa resolveu instalar uma fábrica no estado do Rio para atender à demanda. “Agora, com a construção do Hoya Lab, adicionamos um braço industrial que trará um crescimento previsto de 25% no primeiro ano de operação”, disse Martins. A fábrica tem cerca de 90 empregados.
Segundo ele, a produção mensal não pode ser divulgada. “Ainda é um segredo fabril”, por causa da concorrência, explicou.
Além de elevar o nível de produtividade e de qualidade dos produtos, a contratação dos dekasseguis contribui para reduzir o preço ao consumidor final. Se o produto fosse fabricado no exterior, teria custo bem maior, com taxa de importação, o que inviabilizaria ter um produto de nível tão avançado no Brasil. Então, ter o parque fabril aqui, com mão-de-obra local, facilita muito. Porque, além de melhorar a nossa economia, conseguimos também representar isso em preços melhores”. A Hoya Lab produz lentes de grau e lentes de alta tecnologia e faz tratamentos anti-reflexivos de luz em lentes para melhorar a visão das pessoas.
Os dekasseguis que trabalham na filial brasileira são oriundos de São Paulo e do Paraná. Guilherme Taguchi considera o emprego no Rio de Janeiro uma boa oportunidade. “Aqui no Brasil a gente sabe que emprego também está muito difícil.” Quando ele começou a trabalhar na fábrica japonesa, há cinco anos, a produção era de cerca de 15 mil lentes por dia, número que caiu agora para um quinto.
A queda não decorre apenas da crise internacional: a companhia abriu duas fábricas na Tailândia, onde a mão-de-obra é muito mais barata. “Um brasileiro no Japão daria para pagar dez tailandeses”. No estado do Rio, a produção é bem menor, mas há perspectiva de aumento, pois, “a cada semana, as vendas estão aumentando”, disse Taguchi. Com o passar do tempo, um único turno não vai sustentar a demanda, disse ele.
Quando começou a trabalhar no Japão, Taguchi recebia US$ 14 por hora. Hoje, os dekasseguis que continuam na fábrica japonesa tiveram o salário diminuído para cerca de US$ 10 por hora.

www.shigoto.com.br

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