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Comunidade brasileira no Japão volta a crescer pela 1ª vez em seis anos

JapanHá um ano, Daniela Yomi Otaki, de 26 anos, deixava Londrina, no Paraná, e desembarcava no Japão pela primeira vez para realizar seu sonho de conhecer o país.

Com diploma um universitário em mãos, a artista visual estava disposta a encarar o trabalho em uma fábrica, mas logo conseguiu um emprego em sua área.

Mesmo ainda se adaptando à cultura e aprendendo o idioma, afirma com convicção que não pretende mais voltar ao Brasil: "Quero morar aqui para sempre".

Norika Jo da Silva, 38, também chegou ao país há pouco tempo. Ela e o marido Irineu desembarcaram há menos de um mês para atuarem como psicólogos em uma organização sem fins lucrativos, a Sabja (Serviço de Atendimento aos Brasileiros no Japão).

Esta é a segunda vez que a brasileira vive no arquipélago. A primeira foi entre 1996 e 1999. "Na época, trabalhei em fábrica, porque queria fazer um pé de meia para comprar uma casa e começar um negócio próprio", conta.

Desta vez, o casal foi sem prazo para voltar, e seu filho também irá para o Japão em breve. "Nosso objetivo agora é conhecer melhor o país e a cultura", diz.

Retorno

Daniela e Norika não são as únicas. Em 2015, a comunidade brasileira no país voltou a crescer, após ter encolhido ano a ano, desde a crise econômica de 2008.

Em seis anos, mais de 150 mil brasileiros retornaram ao Brasil. Até 2014, muitos brasileiros já haviam entrado novamente no Japão, mas o número de saídas ainda superava o de chegadas.

A comunidade brasileira diminuía, em média, cerca de 2 mil pessoas por ano, com picos entre 2009 e 2011, segundo dados do Ministério da Justiça do Japão.

No entanto, nos três primeiros meses deste ano, a comunidade teve um pequeno – mas relevante – crescimento de 2.625 brasileiros, e a tendência, segundo especialistas no mercado consultados pela BBC Brasil, é aumentar cada vez mais por causa da alta produtividade da indústria japonesa.

"O Japão vai começar inclusive a importar mais mão de obra barata da Ásia", diz Adriano Okamoto Grohmann, de 46 anos, que trabalha em uma fábrica e é membro da Nagoya Fureai Union, entidade que luta por direitos de trabalhadores.

Para ele, nestes 25 anos de movimento decasségui, a única área em que quase não houve evolução foi a trabalhista. Ele diz que os órgãos japoneses que deveriam fiscalizar e defender o trabalhador fazem vista grossa. "Quando defendemos na Justiça algum caso, percebemos que eles fazem de tudo para não reconhecer que o estrangeiro está certo", critica.

Entre os principais problemas trabalhistas, ele cita os contratos de curta duração, o não pagamento das férias e a demissão de grávidas.

"Realmente, sobram empregos, mas os abusos continuam, e ninguém protege o trabalhador estrangeiro", afirma Grohmann, que resolveu se naturalizar japonês para tentar garantir seus direitos.monte-fuji

Saídas e chegadas

Enquanto alguns chegam, outros partem. Erika Sakugawa, de 42 anos, voltou ao Brasil há um mês, após morar por 19 anos no Japão. "Voltei por causa dos meus filhos", diz.

O mais velho, de 12 anos, estava para começar a segunda etapa do ensino fundamental e, segundo ela, se a família não fizesse a mudança agora, nunca mais deixaria o país.

"Ainda estou me readaptando ao Brasil, atualizando os documentos e me preparando para buscar um emprego", conta. "O que me deixa bastante aliviada é o meu filho mais velho ter se adaptado bem à escola pública. Até já fez amizades."

Erika trabalhou em fábricas no Japão, vendeu produtos brasileiros e deu cursos de maquiagem. "Retornei, na verdade, com uma mão na frente e outra atrás, mas farei o que for necessário para que eles façam uma faculdade, nem que seja vender cerveja na praia."

Ela diz que teve uma experiência de vida ótima do outro lado mundo, mas que não pretende morar novamente no Japão. "O Brasil mudou bastante, mas não está tão ruim quanto a gente pensava", avalia.

Outra que regressou à terra natal, no interior de São Paulo, foi Luciana Inoue, de 33 anos, depois de morar por 24 anos no Japão. "Voltei com a família inteira, porque já era hora", diz.

Apesar de gostar muito do país asiático, a família retornou há um ano, e dizem que ainda estão tentando se readaptar ao Brasil. "Os filhos vão crescendo. A gente vai envelhecendo, e começamos a nos preocupar com o futuro deles", afirma.

"No Japão, por mais que estudemos e batalhemos, sempre vamos ser considerados estrangeiros", diz Inoue, que não desejava ver o filhos trabalhando em uma fábrica.

"O Japão não é um país difícil de se viver em muitos aspectos. Aprendi muito lá. Um dia, quero voltar para passear."
Fonte: BBC Brasil – Ewerthon Tobace

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